Arquivo da categoria: eu mesmo

pergunta

Por quantas manhãs ainda irei lembrar
das noites que não dormi pensando em ti?

coisas simples

Muda de capim cidreira mostra que os milagres são mais simples do que ficamos a imaginar.  Deus é grande; e que ele nos abençoe, sempre.

Conquistas do intervalo

Como já ocorreu outras vezes, o blog sofreu um intervalo. Tempo para casar, viajar em lua-de-mel, voltar, mudar de emprego, pedalar novamente e fazer a vida entrar no ritmo. Por isso, as conquistas do intervalo são muitas. A principal delas, amadurecimento. Voltei com a impressão de que meus amigos não deveriam ter tantos receios em relação aos compromissos dos trinta (casar, comprar uma casa, cuidar de não ter barriga…). Crescer faz bem, principalmente quando se tem consciência disso. Vida que segue, Deus que nos ilumine.

30 de julho de 1978, 11h15

Beijo para acordar, telefonemas e um aviso na tela do celular lembram que cheguei ao 31º inverno. Passei alguns minutos refletindo sobre isso diante da tela do micro. Não cheguei a nenhuma conclusão. Mas achei algumas imagens arquivadas que me lembram a passagem da vida e que é bom estar vivo.

companheiras de treino

06072009919

foto-rima

Olivetti Ico e São Francisco

Inferno em si mesmo

da série contos livres

Quando chegou ao inferno, viu que o Diabo tinha sua própria cara. Não acreditou. Esfregou os olhos para ver e, de fato, estava diante de si próprio, no centro de um lugar que ele jurava não existir. Além deste espanto, nada no local denunciava ser aquele ‘o inferno’, o reino de todas as coisas ruins. Paredes brancas e lisas. Cadeiras bem dispostas. Janelas amplas que não mostravam paisagem suspeita. Mas, era a dor agitadamente viva e profunda em seu peito que denunciava seu ponto final.

Estava morto. Isso era algo de que tinha certeza. Foi um trólebus em manobra atrapalhada que se distanciou da trajetória correta. Não morreu prensado, conseguiu se esgueirar e fugir do impacto. Acabou foi envolvido pelo fio eletrizado que se partiu e contra ele se voltou, como uma sucuri envolve a presa. Morreu em um bote de volts que tentavam encontrar caminho em direção à terra.

Tinha consciência da morte, dos momentos finais e mais nada. Ao acordar na ampla sala do demônio e ver que no centro de tudo estava sua própria figura, chegou a pensar que tudo não passava de um erro. Mas o que não passava era a dor, aguda. Ele parecia carregar no peito o enfarto de toda uma multidão. Enquanto percebia a dor, sentia também que tinha se perdido no tempo e tinha dúvidas sobre ter passado horas, meses ou séculos estupefato diante do seu rosto impávido no corpo do demônio. Nunca mais acordou, nunca mais daquela dor se despediu. Descobriu a eterna angustia de conjugar o inferno sempre e apenas em sua primeira pessoa.