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Café na Cama – Marcos Rey

Livro editado pela Editora Ática

Livro editado pela Editora Ática, 7ª edição, 1988

A trama de Café na Cama já foi livremente adaptada para o cinema. Tomo a informação como algo que reforça minha impressão mais forte a respeito do livro de Marcos Rey, que tive a chance de ler através dessa edição da Editora Ática (foto ao lado). É outra boa história: cheia de reviravoltas e bastante “novelística”. Quem começa quer terminar de ler.

Podemos questionar o estilo que às vezes se mostra pobre na elaboração do texto, podemos avaliar que a construção de personagens às vezes soa caricata… Enfim, se procurarmos veremos pequenos exageros ou coisas que não vai funcionar para todo tipo de leitor. Nenhum livro é universal. Mas, nem mesmo essas minhas observações particulares fazem que eu avalie o livro como uma obra menor. Afinal, tem uma das coisas mais fundamentais de um livro: uma história que nos leva a querer saber seu final.

Recentemente, esse livro ganhou nova versão da Companhia das Letras, o que podemos entender como outro atestado de sua qualidade. A capa recente é bem mais discreta do que essa ao lado. Lendo no Metrô ou no ônibus, percebi olhares curiosos para o volume que eu tinha nas mãos. O tratamento gráfico dessa capa lembra sim os livros de literatura-romântica-feminina-estilo-sabrina-papel-jornal.

Não duvido nada, aliás, que muitos editores tenham pensado nesse viés ao avaliar o possível mercado desse livro: é a história de uma mulher simples do Carrão, periferia de São Paulo, nos idos de 1950, que precisa sustentar a casa pobre após a morte do pai e sonha com uma vida confortável, com o tal “café na cama”. Sou contra entregar detalhes, por isso só digo que a jovem Norma Simone vive em curto espaço de tempo diversas “vidas” em busca desse ideal de conforto, amadurece nesse caminho e, enfim, alcançar um desfecho que nas duas primeiras partes do livro eu realmente não imaginava ser possível.

Outra vez, Marcos Rey retoma seu ambiente mais marcado: os personagens do Centro de São Paulo, as famílias do Jardim América… Está ali um novo retrato de como viveram e sonharam os paulistanos do Quartocentenário. Ele passeia com desenvoltura pelas formas de prostituição mais discretas do período, pelos bares famosos, pelas festas da burguesia e pelos bastidores do jornalismo, do rádio e da TV.

Marcos era publicitário. Por isso acredito que seus personagens caricatos são, sobretudo neste livro, seu maior legado. Mais do que em outras vezes não me identifiquei tanto com seu texto. Ficou na minha mente como algo pejorativo as duas vezes em que ele se referiu à protagonista como um ‘poema de carne’. Achei a expressão ruim, mesmo para ser inserida no pensamento de personagens não tão elaborados.

De toda forma, sigo admirando o escritor. Café na Cama é daqueles livros que vale ser lido em momentos mais relax ou indicado para amigos que não estão ainda tão apaixonados pela literatura. Aliás, Marcos Rey deveria ser indicado para todos que não aprenderam a gostar de São Paulo.

Marcos Rey, um amigo que me faltava

Se minhas contas estiverem certas e minha memória não tiver roubado nenhuma lembrança, encerrei hoje a leitura do meu terceiro livro de Marcos Rey (Ópera de Sabão, Memórias de um gigolô e O enterro da cafetina). Eu devo estar meio sentimental ou realmente influenciado pela genialidade desse paulistano. Fui ler no site (http://www.marcosrey.com.br) que a mulher dele criou algo mais sobre sua biografia…

Fiquei com um certo aperto no peito e a certeza de que Marcos, mesmo ‘em memória’, é o amigo que me faltava. Na minha estante, creio que será difícil surgir outro contista e romancista capaz de entender melhor as curvas da metrópole. Mas, ele é excelente não apenas porque conquista a simpatia daqueles que amam São Paulo. É bom porque sabe contar histórias.

Eu, meio casmurro, não sei se teria sido companheiro de Edmundo Donato, o dono do pseudônimo e autor dos livros que me encantam. Os escritores são misteriosos, difícil saber os humores de quem está do outro lado da máquina de escrever. Mas… estou vivendo a certeza de que cada vez mais Marcos Rey é um cara que vai estar sempre presente na minha vida.