Arquivo da categoria: Sociedade

Associação dá dicas sobre como noticiar suicídios

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criou um livreto: “Comportamento Suicida: Conhecer para Prevenir” que pode ajudar profissionais de imprensa sobre como tratar o tema. Vale muito a leitura e indico para estudantes de jornalismo e profissionais que já atuam no setor. O assunto é sério: segundo dados de 2006, foram 24 mortes por dia provocadas por suicidas no Brasil.

Para baixar o livreto, acesse o link abaixo:
http://www.abpbrasil.org.br/sala_imprensa/manual/img/CartilhaSuicidio_2009_light.pdf

Neste outro link, abaixo, você poderá encontrar informações sobre doenças mentais e a psiquiatria:
http://www.abpbrasil.org.br/sala_imprensa/manual/img/Cartilha_ABP_2009_light.pdf

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Etna, 7 motivos para não comprar

Opinião de consumidor deveria ser lei, ter valor. Na Etna, a minha não teve. Por isso eu já tenho os meus 7 motivos para NUNCA mais comprar nada na Etna (loja de artigos de decoração, móveis e etc). Por três anos trabalhei em frente à unidade situada na Avenida Chucri Zaidan, estive algumas vezes no local e no começo deste mês comprei lá um guarda-roupas.

1 – Funcionários mal-educados e distantes
A loja é enorme, criada feito um labirinto para que você tenha que passar por dezenas de ambientes até chegar ao objeto desejado. Se nesse meio tempo precisar de uma ajuda com detalhes de um item, prepare a paciência para encontrar um atendente. Depois, reze para que ele esteja com bom-humor.

2 – Etiquetas de preço: faça você a conta
Em um primeiro olhar, tudo na loja é barato. O problema é que as etiquetas de preço só mostram os valores das parcelas, tudo em 10 vezes. Prepare-se para fazer muitas contas se você insistir em comprar nessa empresa. O pior trauma vai ser tentar fazer o cálculo de quanto custa um conjunto determinado de móveis: cada pedacinho tem um valor, que somado, pode elevar bem a simples montagem de uma estante. Aconselho levar um bloco de anotações ou usar mesmo os lápis e papéis que eles oferecem.

3 – Produtos caros e frágeis
Preste atenção na qualidade do que você compra e no quanto vale aquele item. Assim como outras lojas de móveis, estão prontos para entregar menos por mais. No meu caso, a falta de tempo para procurar mais por um produto levou a uma compra insatisfatória: em casa, o guarda-roupas comprado na Etna parece mais frágil do que se mostrava na loja.

4 – Serviço de agendamento de entregas ineficiente
Experimente tentar agendar uma entrega, como diz a lei, dentro de um prazo razoável para você. Será um tortura. Se fossem questionados, os diretores da empresa diriam que a culpa é do período natalino, IPI reduzido, e etc. Para mim, pouco importa, continua sendo ineficiente.

5 – Controle de qualidade dos produtos é falho
Não se assuste se a sua compra chegar com um pedaço faltando. Meu guarda-roupa veio sem gavetas. É um erro pontual? Pode ser, mas o tamanho desse erro pontual é suficiente para que EU não confie mais na empresa. Tudo na vida é relação de consumo: imagine se o mecânico esquece de entregar um pedaço do motor ou se a loja de doces esquece os brigadeiros para a festa de aniversário? Para mim, tudo está no mesmo barco e mostra ineficiência da empresa.

6 – Serviço de atendimento ao consumidor fere a lei
Basta ligar: 4003 3622. Se você for atendido dentro do tempo estipulado pela legislação, solte fogos de artifício. Se eu tivesse um gravador, teria bom motivo para protocolar uma reclamação no Procon. EU não fui atendido dentro do prazo em nenhuma das vezes que precisei acionar o SAC.

7 – Entregadores não respeitam prazos
A lei diz que você pode escolher se quer receber o produto pela manhã ou à tarde. Neste sábado em que eu aguardo a entrega das gavetas e montagem de itens que ficaram faltando, já passa das 14h e ninguém apareceu. Alguns podem dizer que estou sendo muito criterioso. É verdade, estou mesmo, porque na hora de ganhar os R$ 2 mil que pagaram esse guarda roupa fui obrigado a cumprir prazos rigorosamente: o fato é que o capitalismo é um só para todos e, nesse caso, a Etna se mostrou uma loja bem abaixo das minhas expectativas de consumidor.

Se você teve uma experiência ruim com a ETNA, poste nos comentários. Se a própria Etna quiser se pronunciar, mande aquele comunicado protocolar também pelos comentários.

Máfia das gravatas

gravatasNão sou advogado nem pertenço ao ‘mundo corporativo’. Sou trabalhador das letras e por isso só eventualmente preciso usar terno e gravata. Tenho três ternos e algumas gravatas, todos básicos, para me salvar em ocasiões especiais. O papel de noivo me fez conhecer novos horizontes no mundo dos ‘costumes’ e, como consequência, me levou à máfia das gravatas.

Se os ternos podem custar até milhares de reais, seus acessórios não poderiam ficar desvalorizados. Entretanto, é impossível nos shoppings de São Paulo encontrar uma gravata de qualidade e não pagar os tais R$ 140. É quase tabelado… Alguns poderão achar que escrevo esse texto com um escorpião inquieto no bolso. Nada disso. Só julguei ser realmente espantoso o preço cartelizado. Meu terno para o casamento não custou os tais milhares, mas das gravatas não consegui fugir. No fim das contas, admiti ser melhor pagar caro em uma peça que valoriza todo o conjunto do que apostar em uma que derrubaria até os mais caro dos costumes.

A essência do encontro de noivos

IgrejaSagradoCoracao_CamposEliseos_230820091066No último fim de semana, participei de um encontro de noivos no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, nos Campos Elíseos, região Central de São Paulo. Uma dezena de casais dedicados se esmerou para, voluntariamente, preparar quase 80 jovens para o matrimônio. Todos muito simpáticos e para os quais, individualmente, só tenho elogios. Mas…

…não posso deixar de fazer uma análise crítica da forma como nossa Igreja Católica desenvolve esta pastoral. O encontro começou às 8h e terminou quase 20h do domingo. Como eu mesmo disse para o padre salesiano responsável pelo santuário: “angu de um dia não engorda cachorro magro”. Por mais interessantes que fossem as atividades, ao menos para mim, todo esse tempo de palestra e atividades receptivas se tornaram cansativas. Bem, os organizadores dizem que antes (como em outras paróquias ainda é) o encontro durava dois dias inteiros.

De forma geral, o conteúdo das palestras está a cargo da experiência de cada um dos casais organizadores. Isso até é bom porque assim assuntos como sexo, contraceptivos e planejamento familiar são tratados sem a influência das teorias limitadoras da hierarquia católica. Mas, como efeito colateral, a ausência de interferência dos padres acaba cobrando um preço: às vezes, o conteúdo carece de um olhar mais teológico ou pastoral.

IgrejaSagradoCoracao_CamposEliseos_230820091069Impossível falar de métodos contraceptivos sem dar a explicação correta sobre como e porque a igreja só aceita a tabelinha como forma de evitar filhos. Também difícil falar de planejamento econômico sem lembrar do dízimo ou da importância de ter em mente que produzimos riquezas para nós e para a comunidade.

Repito, cada um dos palestrantes passou ótimas informações. Mas se esses leigos católicos dedicados poderiam ir ainda mais longe com o apoio direto e dedicado da nossa Igreja. Basta ver que o próprio pároco disse: ele está pensando em produzir uma espécie de novena ou outra forma de formação dos noivos, algo que trouxesse para dentro da realidade do jovem casal uma dimensão espiritual do casamento. Preparação de longo prazo, elementos de prece e reflexão nos tumultuados meses que antecedem a cerimônia. Isso seria bom.

Mas, atenção. Longe de mim cobrar foco exclusivo na vida místico-religiosa do casal, pois o casamento é muito concreto e antes dele cabem muitos conselhos práticos e alguns deles foram dados nas palestras. Mas há que se pensar em como oferecer uma chance de fazer desse sacramento como a grande chance de transformar o amor entre homem e mulher em sinal visível do amor de Deus pela sociedade e pela Igreja. Quais as leituras bíblicas, quais os santos e pensadores que de alguma forma dão pistas para a vida a dois? Não há nenhum? Como aproveitar o curso obrigatório para mostrar aos casais que a vida de fé é essencial ao casamento? Eu começaria valorizando o testemunho de cada um dos casais leigos, gente que teve que se superar e segurar firme na religiosidade para superar brigas e desencontros.

IgrejaSagradoCoracao_CamposEliseos_230820091067Por fim, voltei a refletir sobre o viés espiritual e o social da cerimônia ao fim do curso. Muitos criticam a chamada indústria do casamento. Mas, há quem a valorize. A missa que encerrou o encontro de noivos teve a participação de um coral e orquestra. Estavam lá para divulgar seu trabalho para o grupo de noivos. Liturgicamente, atropelaram a cerimônia: toque de trombeta e marcha nupcial para entrada da missa, ave-maria logo após comunhão… Sem falar nas três músicas ‘demo’ que tocaram e cantaram ao fim da celebração, enquanto uma platéia de noivos cansados desejava apenas pegar seu certificado de participação no curso e seguir para casa.

Tudo bem, muitos deveriam estar ali preocupados também com a pompa e a circunstância da celebração vindoura. São sonhos… Mas cabe a Igreja colocar seus fiéis dentro da realidade e não incentivar, em plena Cracolândia, exibição social em vez de sobriedade e compromisso com um projeto de comunidade de fé libertadora. Meu casamento é em outubro, posso até cometer parte dessa ostentação desnecessária e tentei fugir dela ao máximo, mas tenho plena consciência de que fui alertado e que esse não é o testemunho de fé que o Pai espera de mim.

Igreja do Pateo do Collegio ganha reforma

Igreja do Pateo do Collegio, fachada externa

Igreja do Pateo do Collegio, fachada externa

O artista plástico Cláudio Pastro (veja tese em Ciência da Religião sobre o trabalho dele) me persegue. Entre muitas igrejas no Brasil, interferiu diretamente nas três que eu considero as mais importantes para meu exercício da fé.

Deu formas e novos ares ao Santuário Nacional, transformou o presbitério da Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, e agora mudou a igreja do Pateo do Collegio. O novo visual, apresentado com em primeira mão pelo G1, foi mostrado à comunidade neste domingo, 26 de julho.

Não tenho nada contra reformas. Gostaria mesmo de uma grande reforma dentro do nosso jeito de celebrar a fé católica. Por isso não tenho o direito de pedir que os templos também fiquem mortos, com suas falhas de projeto que atrapalham a atividade fim. Mas, as obras de Pastro – de inegável valor artístico – nem sempre agradam todos. O mais comum e consenso entre os críticos é que de suas mãos resultam igrejas frias. Eu tive chance de entrevistá-lo sobre a capela que planejou para a visita do Papa em Aparecida e terminei o bate-papo sem uma impressão definitiva sobre o encontro…

Presbitério na Igreja da Glória: pedras e granitos na nova versão

Presbitério na Igreja da Glória: pedras e granitos na nova versão

Mas vejamos… Eu tinha planos de me casar na Igreja da Glória. Entretanto, a mudança lá em Minas Gerais foi polêmica, já que o templo havia sido recém-tombado. Eu particularmente, como não estou lá diariamente, preferia o jeito antigo do presbitério (depois acho fotos das duas etapas e posto aqui. Aqui, link para imagens recentes). Aliás, posso dizer que fui contra mesmo as mudanças… Mas sei que para quem vive o dia-a-dia da comunidade, a repaginada foi importante. Um templo tem que estar à serviço, antes de mais nada. Não adianta apenas ser belo e histórico para simplesmente acabar sozinho e ruir sem uso.

Novo altar, em pedra, e cruz sobre parede de azulejos no Pateo do Collegio

Novo altar, em pedra, e cruz sobre parede de azulejos no Pateo do Collegio

Mas, enfim, desisti de casar em Minas, com ou sem polêmica. Só não fiquei livre das interferências do artista plástico como pano de fundo no meu álbum de casamento. Escolhi realizar meu matrimônio no Pateo do Collegio. Espanto quando descobri que ele mudaria tudo por lá também… Nesse caso, não fui contra e aprovei as mudanças. A Igreja do Pateo (não capela, como disse a repórter do Grupo Estado em reportagem sobre a reforma), era escura e tinha – como tantas outras – falhas litúrgicas, não combinava com a história do lugar. Benedito Lima de Toledo já reclamou, mas possivelmente reconsidere ao avaliar o local depois da reforma. Vale dar uma lida nas reportagens sobre o tema antes de tomar partido…

Vejam o caso do Santuário de Aparecida. Eu era menino e já frequentava o local, sempre rústico com seus tijolos aparentes e quase nenhum ornamento. A interferência de Cláudio Pastro começou e progressivamente fui deixando de me identificar com o local como eu conhecia. Estranhei, mas fui percebendo as intenções, releituras e beleza da arte à serviço da liturgia. Foram várias e várias visitas ao longo de anos para, enfim, na época da visita do Papa, eu novamente sentir o Santuário como minha casa na fé.

Cláudio Pastro me persegue, mas conseguiu – temporariamente nesses dois casos – me convencer. Como dizem que a arte deve ser vivida, vou viver esses espaços e ao longo dos tempos vejo como consolido minha opinião. Mas pessoalmente, torço mesmo para que o talento do artista seja visto em novas igrejas, construídas sob medida para seus conceitos, e menos em reformas nos templos já existentes no país.

“Quando eu faço uma obra de arte, eu nunca penso nas pessoas, em como as pessoas vêem isso, mas eu estou interessado numa fidelidade, numa profundidade e numa espiritualidade séria. Depois é o Cristo que vai falar” Cláudio Pastro em entrevista ao Zenit à época da visita do Papa no Brasil.

“Um outro trabalho bonito, que está sendo extremamente mal usado, é a capela da Rede Vida de Televisão. Eu fiz um terno para o caipira usar… Os padres não sabem usá-la, são cafonas, não sabem o valor dos gestos, do espaço. O próprio diretor da Rede Vida é um caipirão que tem muito dinheiro…” (Veja entrevista completa no Planeta Web aqui)

CET e SMT: prefeitura se cala sobre problemas

Órgãos responsáveis por administrar o trânsito em São Paulo são os primeiros a evitar comentários a respeito dos congestionamentos e outros problemas do trânsito na cidade. A afirmação poderia ser uma opinião do blogueiro, mas é fato: duas matérias publicadas pela imprensa hoje mostram que a gestão Kassab prefere enfiar a cabeça no buraco em vez de se explicar ou explicar como age para diminuir o impacto do trânsito na vida do paulistano. Leia reportagem do G1 e da Agência Estado.

Será apenas um blog fora do ar?

De repente, meu pai, que virou uma ‘espécie de estudioso’ da questão palestina, ficou órfão. Ele acompanhava de forma regular o Blog do Bourdoukan, que parece ter sido removido do blogspot. O escritor é conhecido por sua leitura crítica das atitudes de Israel. Será que tudo se acalmou na palestina e ele resolveu simplesmente que não tem mais motivo para escrever? Duvido muito. Se alguém tiver novidades, não deixe de avisar…