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Nem Justiça Militar apaga da web vídeo de PM que fez Dança da Periquita

A notícia do policial milital de São Paulo que rebolou fardado ao som de um forró de duplo sentido foi das mais lidas na web na quarta-feira (3). Óbvia ridicularização de uma instituição fundamental para nossa sociedade. Por isso, todos os sites e jornais deram.

A maioria colocou o vídeo disponível no You Tube para rodar dentro da própria página da notícia. Assim fizeram Estadão, Terra e outros. A notícia saiu no Agora, versão impressa, com três fotos no topo da página. Houve um outro site líder em audiência que deu a nota acompanhada de uma reprodução da página do You Tube, sem link, no lugar da foto tradicional das matérias. Mais tarde, tirou o frame. E, no fim do dia, terminou por despublicar a matéria ou teve um erro fatal fez o link quebrar definitivamente.

Nas matérias que ainda permanecem disponíveis para leitura, como do jornal Folha de S. Paulo, pode-se ver que a corporação foi amplamente ouvida. Isso foi regra em todas as matérias. A PM informava que tomou medidas administrativas e estudava uma forma de obrigar a retirada de todos os vídeos do You Tube (Faça sua cópia antes que acabe).

“Fontes ouvidas pelo Papel Eletrônico” informam que as tais medidas legais já foram tomadas, inclusive com intenção de parar a repercussão da notícia dentro das redações. Entretanto, o fato é simples para quem entende o mínimo de internet: nem Justiça Militar apaga vídeo de PM que fez Dança da Periquita.

Os motivos são os mesmos que fizeram do vídeo de Daniela Cicarelli transando na praia permanecer no ar até hoje (quer ver? uma busca simples achei nesse link, mas seriam muitos outros). E a apresentadora bem que processou um monte de sites por issso.

Sendo assim, a única forma de apagar a humilhação é voltar no tempo. Como isso não é possível, resta evitar humilhações futuras formando melhor seus integrantes. Para além disso, só cabe aos jornais redobrar a atenção para a atuação dos agentes públicos que dançam no horário de serviço. Enquanto o PM rebolava dentro da base, alguém poderia ser assaltado do lado de fora e ele só poderia dizer que estava curtindo seu ócio criativo pago com nosso dinheiro.

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O apocalipse do jornalismo em 2021

Cheguei surfando ao site do livro Nosotros, el medio. O trabalho mostra como a audiência define o futuro do jornalismo. No prefácio, os autores apontam que futurólogos já dataram o começo da nossa “época de ouro” do jornalismo. Acreditam que, em 2021, mais da metade das notícias serão produzidas colaborativamente. Faltou tempo para ler as 70 páginas do trabalho, que creio vai bem além do achismo do conceito acima. Entretanto, se a análise das transformações do universo jornalístico mantiver esse viés, deixo algumas perguntas para a leitura do trabalho:

1 – Como conciliar aumento da participação dos leitores nos media comerciais com qualidade editorial?
2 – Nos grandes veículos, jornalismo colaborativo ficará restrito, no futuro, aos furos e imagens de flagrantes? Enfim, os leitores substituirão apenas algumas tarefas de repórteres e fotógrafos das editorias de cotidiano e cidades?
3 – Quais estratégias, além da pura e simples incorporação, os media adotarão para minar a influência de eventuais canais de jornalismo colaborativo independente? Será essa a intenção?
4 – Como anda a credibilidade dos weblogs e outros meios que não têm selo de grandes veículos? Se os media já embarcam em falsas quedas de avião, isso não pode acometer com mais freqüência os “jornalistas cidadãos”?
5 – Jornalismo colaborativo nos grandes veículos: Quais os critérios para filtrar as notícias? Um dia haverá remuneração? Há projetos que retribuem minimamente o leitor pelo envio de uma foto, como faz o Estadão quando as publica em versão impressa.
6 – O convite para a participação do leitor não derruba o poder do media, já que ele admite não ser o dono da história?

O apocalipse do jornalismo como o conhecemos não deve estar assim tão perto. Por um lado, ele já começou faz tempo, vai durar ainda muito mais e, no fim das contas, é difícil prever como será o outro lado. Tenho minhas dúvidas se haverá, como diz o autor, o começo de uma época de ouro do jornalismo. Na minha opinião, está mais fácil celebrarmos o advento da época de ouro da comunicação multifacetada, das informações cotidianas em acessórios móveis e do entretenimento digital. O jornalismo? Vamos estudar, mas por enquanto, arrisco que ele seguirá mais desprestigiado do que antes e terá mesmo que se reinventar.