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Os espelhos de Anna Kariênina

Se uma obra deve refletir o autor,  Liev Tolstói cumpriu essa tarefa em cada uma das 800 páginas de Anna Kariênina. Sobretudo nesta tradução de Rubens Figueiredo, diretamente do russo ao português lançada recentemente pela Cosac Naify.

Tolstói está presente não apenas em lances autobiográficos ou na defesa de teses que lhe eram caras. Estilo, forma e o apuro nas técnicas narrativas não deixam dúvidas de que Anna Kariêninna está entre o que há de melhor na produção do autor.

Não há o menor sentido em eu tentar um resumo, análise ou comentário mais sério sobre o livro. Para isso, deixo sobretudo a dica dos  links abaixo. Posso apenas dar meu testemunho: vale a pena ler e não se deixar assustar pelo volume. Serão recompensados aqueles que gostam das boas descrições de situações e ambientes e de bons retratos psicológicos de personagens.

Minha estratégia para não desanimar e não me perder entre as dezenas de personagens foi me dedicar ao máximo ao livro para não perder o fôlego. Cumpri a leitura em uma semana. Espero agora “Guerra e Paz” em 2011, quando for lançada a nova tradução pela Cosac Naify. Também acho que vale uma boa biografia do autor, mas para isso preciso de indicação que ainda não tenho.

Para ler mais:
– Revista USP: Considerações à margem de Anna Kariênina – (link para arquivo PDF)
– Blog Cosac:  Rubens Figueiredo comenta sua tradução de Anna Kariênina (link site)

Em contos, Liev Tolstói entrega um convite

Admito, o título prendeu minha atenção: “O diabo e outras histórias”. Aliás, ela está sempre pronta para ser roubada pelos temas relativos ao inferno e às manifestações diabólicas (calma, nada demais, é só um tema de pesquisa literária).

E só tenho a agradecer a curiosidade e ao convite que recebi nessas histórias curtas. Eu que já gostava de outros russos vi se desnudar diante de mim um autor de muitas obras (isso é ótimo quando nos apaixonamos por um escritor) e de um texto muito cuidadoso, sem arabescos, mas graciosamente elaborado.

Neste livro, editado pela Cosac Naify, Tolstói (1828-1910) apresenta cinco histórias que mostram com exatidão sua capacidade criativa e o que esperar dele em outras livros de maior fôlego, como Guerra e Paz ou Anna Kariênina.

Os contos Três Mortes, Kholstomér, O diabo, Falso cupom e Depois do baile são muito bem apresentados e contextualizados na introdução de Paulo Bezerra, na abertura do livro. Vale lê-la antes de avaliar cada peça do contista, pois assim conseguimos entender melhor como colocar em perspectiva a obra dentro da vida e do pensamento do escritor, conhecido por seus romances volumosos, sobretudo Guerra e Paz.

Tradução de Anna
Gostei tanto de Tolstói que na sequência dos contos comecei a ler Anna Kariênina.  Li as primeiras 15 páginas em uma edição da Círculo do Livro, com tradução de João Gaspar Simões, que estava disponível na minha biblioteca. Mas, senti imediata diferença do texto entre o que vi nos contos e o que me apresentava o romance. Rapidamente, busquei a recente versão de Anna Kariênina editada pela Cosac Naify (R$ 100,00), com tradução direta do idioma original por Rubens Figueiredo.

No mesmo dia, reli as 15 páginas e senti estar de volta ao Tolstói que conheci nos contos. Difícil explicar, mas vi claramente o uso de palavras menos rebuscadas e uma ordem no pensamento que me pareceu mais direta. Somado ao bom acabamento e papel superior, posso dizer que estou me divertindo com o livro e não me assustam as mais de 800 páginas.

Talvez eu tenha sido influenciado pela boa reportagem da Piauí que cita os três principais tradutores de obras russas diretamente ao português. Vale ler o texto da revista,  assim como ler os contos de “O Diabo e outras histórias”, como boa introdução ao estilo de Tolstói.

Da minha parte, quando acabar Kariênina vou ficar esperando o lançamento de Guerra e paz, também pela Cosac com tradução de Figueiredo, prometida para 2011.

Boas leituras!