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Pesquisa eleitoral só é lucro certo para instituto de pesquisa

É certo que os institutos são os maiores beneficiados com as pesquisas eleitorais, como a divulgada ontem pelo Sensus e que mostra empate entre Serra e Dilma. Afinal, esse é o negócio deles… Mas, desde o fim de semana esse levantamento é alvo de polêmica. Quem seria o real contratante da pesquisa? A quem interesse o resultado anunciado? Quais formas são possíveis para manipular os números? Quem ganha com o resultado?

As questões acima e muitas outras são dignas do Observatório da Imprensa. A Folha mostrou que o primeiro sindicato apontado como contratante negava, o tesoureiro do segundo não sabia de nada. Mais tarde o presidente do Sintrapav disse que sim, eles encomendaram. A Força Sindical, que é ligada ao contratante e ao PDT (partido da base de DIlma), divulgou os números.

Os tucanos reclamaram. Arthur Virgílio (leia aqui para assinantes Folha e UOL) disse que acha surreal sindicato contratar pesquisa. Ao ler isso, lembrei que entidades patronais contratam, e muitas. E interesse por interesse, até mesmo a imprensa tem lá os seus. O que nem sempre é claro são quais interesses estão em jogo e quais os critérios que fazem determinadas sondagens ganharam destaque na mídia e outras não.

Sendo assim, eu continuo com a certeza de que só instituto tem lucro certo com pesquisa eleitoral. Não sei como sindicalistas, empregadores e outros ‘atores sociais’ podem se beneficiar desses levantamentos. Fica a dica de pauta, incluindo citar quanto custa cada um desses levantamentos. E acho importante até mesmo informar a diferença de preço entre uma pesquisa Ibope, Datafolha, Sensus, Vox Populi e etc…

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Verdades e mentiras na Pesquisa Origem e Destino

Os jornais manchetaram neste sábado o crescimento do uso do transporte público na região metropolitana de São Paulo. A base para a afirmação foi a divulgação parcial da Pesquisa Origem e Destino 2007 do Metrô, realizada em parceria com diversas secretarias e autarquias sob comando do governo estadual.

Quais as verdades e mentiras por trás dos números que, isoladamente, podem nos fazer crer que o governo tucano está cumprindo seu papel de oferecer “transporte público de qualidade”? Por si só, podemos falar que essa é uma tendência e, finalmente, vamos ter menos carros nas ruas?

Durante a apresentação parcial dos dados, os técnicos louvaram a expansão do sistema metroferroviário, nem citaram a importância da integração entre os modais oferecida pelo Bilhete Único e, no fim das contas, tentaram passar a impressão de que há uma tendência da população abandonar seus carros e que, enfim, só agora sobram evidências de que é urgente privilegiar os investimentos no setor.

Para mim, que não estive na coletiva, é emblemática a definição do secretário José Luiz Portella. Em uma de suas declarações, conforme cita a Folha, registra que o aumento da demanda pelo transporte coletivo se deve ao aumento na renda das classes C, D e E. “(O aumento na renda) não foi suficiente para as pessoas comprarem um carro, mas foi suficiente para que quem andava a pé passasse a usar o transporte público.”

Sendo assim, a tendência verificada em 40 anos na pesquisa se mantém: só faltou dinheiro para que a procura por transporte individual continuasse levando vantagem nas análises. Ponto.

Há muitos outros dados para serem comentados, como o aumento no uso das bicicletas, que foi de quase 50%. Hoje são mais de 300 mil viagens de bike por dia na RMSP, mas isso não chega nem a 1% das viagens totais. Ninguém comentou com ênfase, mas vale notar também o aumento na oferta de ônibus nas ruas. Em dez anos, o total subiu 164%, enquanto a frota de veículos cresceu 33%.