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O apocalipse do jornalismo em 2021

Cheguei surfando ao site do livro Nosotros, el medio. O trabalho mostra como a audiência define o futuro do jornalismo. No prefácio, os autores apontam que futurólogos já dataram o começo da nossa “época de ouro” do jornalismo. Acreditam que, em 2021, mais da metade das notícias serão produzidas colaborativamente. Faltou tempo para ler as 70 páginas do trabalho, que creio vai bem além do achismo do conceito acima. Entretanto, se a análise das transformações do universo jornalístico mantiver esse viés, deixo algumas perguntas para a leitura do trabalho:

1 – Como conciliar aumento da participação dos leitores nos media comerciais com qualidade editorial?
2 – Nos grandes veículos, jornalismo colaborativo ficará restrito, no futuro, aos furos e imagens de flagrantes? Enfim, os leitores substituirão apenas algumas tarefas de repórteres e fotógrafos das editorias de cotidiano e cidades?
3 – Quais estratégias, além da pura e simples incorporação, os media adotarão para minar a influência de eventuais canais de jornalismo colaborativo independente? Será essa a intenção?
4 – Como anda a credibilidade dos weblogs e outros meios que não têm selo de grandes veículos? Se os media já embarcam em falsas quedas de avião, isso não pode acometer com mais freqüência os “jornalistas cidadãos”?
5 – Jornalismo colaborativo nos grandes veículos: Quais os critérios para filtrar as notícias? Um dia haverá remuneração? Há projetos que retribuem minimamente o leitor pelo envio de uma foto, como faz o Estadão quando as publica em versão impressa.
6 – O convite para a participação do leitor não derruba o poder do media, já que ele admite não ser o dono da história?

O apocalipse do jornalismo como o conhecemos não deve estar assim tão perto. Por um lado, ele já começou faz tempo, vai durar ainda muito mais e, no fim das contas, é difícil prever como será o outro lado. Tenho minhas dúvidas se haverá, como diz o autor, o começo de uma época de ouro do jornalismo. Na minha opinião, está mais fácil celebrarmos o advento da época de ouro da comunicação multifacetada, das informações cotidianas em acessórios móveis e do entretenimento digital. O jornalismo? Vamos estudar, mas por enquanto, arrisco que ele seguirá mais desprestigiado do que antes e terá mesmo que se reinventar.