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Quando vale a pena reler um livro: Humberto Eco – “O Nome da Rosa”

Depois de ler o romance sobre os franciscanos (ver post anterior), resolvi encarar uma obra consagrada sobre Idade Média e Catolicismo. Na verdade, “O Nome da Rosa”, de Humberto Eco, tem bem mais que esses dois itens como ingredientes básicos.

Na medida em que avancei na leitura me dei conta de que já tinha lido o livro. E me lembrei de como é bom reencontrar uma história que vale a pena ser revisitada. Reconheci desde as primeiras páginas as múltiplas faces dessa obra que, mesmo lançada recentemente (1980), certamente já figura na lista de clássicos recomendados por muitos apaixonados por literatura.

Em “O Nome da Rosa”, os afeitos ao estudo da religião se encantam com o detalhado retrato de uma abadia no século XIV e as crises da Igreja Católica, dividida entre ser e ter. Os apaixonados pela história clássica podem ver no pano de fundo da trama as primeiras influências do crescimento de uma burguesia urbana na composição de poder da sociedade medieval. Há ainda uma vertente dentro da obra capaz de agradar também os leitores do gênero policial e também os apaixonados pelas inferências semióticas que permeiam todo o texto e sua homenagem aos livros e às bibliotecas.

É uma obra de fôlego, mas de fácil leitura, surpreendente e de narrativa simples. Sem volteios estilísticos, mas com riqueza concentrada em cada detalhe do enredo e seu desenvolvimento. Na minha humilde escala de 0 a 5, nota máxima para o livro. Mais uma excelente aquisição que eu fiz no Sebo Alternativa. Aliás, o exemplar já pertenceu ao Dr. Kalil Dualib, especialista na área de saúde mental em São Paulo.

Sem fontes melhores para citar em um primeiro momento, recomendo o artigo sobre a obra na Wikipedia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Nome_da_Rosa

A história de “O Nome da Rosa” é simples:  Em uma abadia italiana, a morte de sete monges em sete dias consecutivos é o motor responsável pelo desenvolvimento da ação. A obra é narrada como se escrita por um monge que, quando jovem, presenciou os fatos.

Dois dos meus três leitores fieis sabem que tenho interesse particular nas formulações a respeito do diabo na cultura ocidental. Um trecho do livro, relacionado ao desfecho da trama, me chamou bastante atenção. Está na boca do personagem Guilherme, monge sábio responsável por investigador as mortes e preparar caminho para um encontro entre os teólogos imperiais e os homens do papa.

“(…) O diabo não é o príncipe da matéria, o diabo é a arrogância do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que não é nunca presa de dúvida. O diabo é sombrio porque sabe por onde anda, e andando, vai sempre por onde veio. Tu és o diabo e como o diabo vive nas trevas. “

Mas, não se deixe enganar. Essa pílula não serve como resposta antecipada para os mistérios do livro, habilmente desenvolvido em 562 páginas.

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