A pista de gelo – Roberto Bolaño

Às  vezes as pessoas indicam livros como se fizessem uma indicação para o Oscar. Não precisamos ser tão graves. Os juízos definitivos não precisam se transformar em peso na hora de dizer: sim, gostei e você pode ler que seu tempo será recompensado, ao menos sob meu ponto de vista.

A Pista de Gelo, primeiro romance do autor, é um livro curto. Tem uma narrativa temporal linear, onde três personagens contam ângulos da história. Eu, que conheci Bolaño através de 2666, achei esse livro curto e uma excelente introdução ao potencial do autor. Na verdade, talvez ler Putas Assassinas primeiro seja interessante, pois a série de contos mostra de forma pontual o estilo do chileno.

Não aderi à bolañomania. Não sei o tamanho do autor, mas acredito que ele está acima da média. O tempo, a força do marketing e o interesse dos leitores dirão o quanto ele se transformará, em um futuro próximo, em referência desta virada de século que vivemos.

Sobre “A Pista de Gelo”, creio que o clima de romance policial é apenas pano de fundo e discordo de quem avalia a obra como uma tentativa (frustrada) de construir algo inovador no gênero. Ele ultrapassa essa pretensão de forma simples: é a história de homens frustrados, apaixonados ou perdidos que apenas querem achar seu lugar no mundo.

Resumo da editora
A pista de gelo foi o primeiro romance publicado por Roberto Bolaño, em 1993. Nele já estão presentes os elementos fundamentais de seu universo literário, a começar pela narração em primeira pessoa, feita por diversos personagens, que prenuncia as posteriores polifonias alucinantes, como em Os detetives selvagens. Em A pista de gelo, três personagens se alternam na narração dos estranhos eventos que acontecem em Z, um pequeno balneário da costa catalã: Remo Morán, chileno, pretenso escritor que venceu na vida como dono de bar e loja de bijuterias; Gaspar Heredia, poeta mexicano desgarrado que vive de biscates e no momento é o negligente vigia noturno de um camping; e Enric Rosquelles, zeloso funcionário de confiança da prefeita. Seus destinos se cruzam em torno de uma bela patinadora, uma pista de gelo clandestina – e um assassinato.
O que nos leva a outra matriz da ficção de Bolaño: o romance policial, que lhe empresta a agilidade da narrativa, a capacidade de revelar a trama aos poucos e envolver o leitor como o detetive que analisa as pistas e desvenda o mistério. Mas Bolaño prefere lançar seu olhar a um tempo irônico e compassivo ao mundo dos desgarrados, dos que sofrem com os transtornos do amor, sonham com pouco e não têm quase nada a perder.

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