Medalha Anchieta para Renata Falzoni é pouco

Muito obrigado, vereadores, pelo reconhecimento da luta de Falzoni.
Mas, dá próxima vez, queremos nossa parte em ciclovia, ciclofaixa e respeito.

A jornalista e cicloativista Renata Falzoni recebeu na noite de terça-feira (7 de dezembro de 2010) a Medalha Anchieta, na Câmara de São Paulo. Uma homenagem a sua luta pela inclusão da bicicleta no planejamento viário das cidades brasileiras. Os ciclistas fizeram festa, a honraria foi comemorada, mas a prória homenageada recebeu a deferência com um olhar crítico. Discursou contra a inércia da Prefeitura e não se mostrou feliz com os discursos otimistas de que as bicicletas ganharão atenção do Poder Público.

Na minha opinião, a Medalha Anchieta para Falzoni é pouco. É importante porque é o reconhecimento óbvio da luta de uma multidão, uma massa que vê nela um exemplo e referência sem igual. Entre os cicloativistas, ninguém contesta sua importância. Mas a medalha é pouco porque seu impacto político é limitado. O próprio secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), disse em seu discurso que “vereador adora uma medalha”, mas que aquela homenagem era justa e que Anchieta estaria feliz ao ver seu nome ligado ao de Renata.

Por sua vez, o vereador Chico Macena (PT) admitiu que nem sempre as homenagens prestadas na Câmara eram justas e disse ainda que nem sempre o que se faz na Casa tem como objetivo o bem comum. O certo é que Macena usou com critério uma das três homenagens a que tem direito de propor no mandato. Tanto que a ex-vereadora Sonhinha (PPS) lamentou não ter pensado nessa homenagem antes…

Já Valter Feldmann (PSDB), secretário de Esportes, disse em seu discurso que está feliz com as perspectivas apresentadas pelo secretário municipal de Transportes, Marcelo Cardinale Branco. De concreto, ele não fez nada pelas bicicletas ou pedestres, mas Feldmann disse que ele está aberto ao tema. Tenho minhas dúvidas, todas elas baseadas no discurso de Falzoni ao receber a honraria.

Falzoni criticou Kassab por não cumprir leis, por engavetar projetos e por “tirar o dele da reta”. (Veja um vídeo editado com trecho curtinho do discurso aqui. Além disso, tem a íntegra parte 1 e parte 2 via @wcruz)

Por essas e outras, eu ficarei mais convencido de que o Poder Público está consciente da luta desses mais de 300 mil ciclistas que usam a bici como meio de transporte diariamente quando Renata Falzoni receber a Medalha 25 de Janeiro. Essa é a honraria máxima criada pela Prefeitura de São Paulo em dezembro de 2009 para fazer homenagem e reconhecimento “pelo mérito pessoal, bons serviços prestados à Cidade ou serviços dignos de especial destaque, valor desportivo ou cultural“.  Lula e Serra já receberam.

Mas, no fim das contas, pensando melhor, não queremos outra medalha. Não queremos homenagens. Queremos apenas que os veículos respeitem aqueles 1,5 metro  de distância ao ultrapassarem as bicicletas. O melhor favor que a Prefeitura poderia fazer é colocar em prática um plano cicloviário. É disso que a Falzoni e todos nós precisamos. Queremos nossa parte em ciclovia, ciclofaixa e respeito.

Sobre a Medalha Anchieta
Infelizmente, não encontrei no site da Câmara uma página sobre a honraria. Seria interessante saber quantos e quais foram as pessoas que receberam a homenagem. Em alguns sites .gov encontrei os seguintes dados: “A Medalha Anchieta foi idealizada em 7 de setembro de 1969 e distribuída como brinde aos convidados que participaram  da cerimônia  de  inauguração do Palácio Anchieta, ocorrida nesta mesma data. Quatro anos depois, em 26 de maio de 1973, ela foi instituída oficialmente por meio de um Projeto Decreto Legislativo  de  autoria  do  ex-presidente  da  Câmara, João Brasil Vita. Em 1975, um novo decreto fixou o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo a ser outorgado junto com a Medalha Anchieta.

Veja mais
Álbum de fotos do Chico Macena: http://goo.gl/photos/tF1x2agVYn
Notícia sobre a honraria no site da Câmara – link aqui

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Uma resposta para “Medalha Anchieta para Renata Falzoni é pouco

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