Bento XVI entra na discussão sobre aborto no Brasil

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O Papa Bento XVI entrou -novamente – no debate sobre o aborto no Brasil. Agora, a três dias das eleições. Durante visita de bispos do Nordeste ao Vaticano, nesta quinta-feira (28), Bento reforçou que os pastores católicos têm a missão de interferir na vida política com juízos morais.  Bento aproveitou a oportunidade para defender ainda os símbolos religiosos na vida pública e citou até o Cristo da Guanabara. Alguma citação aos excluídos do Nordeste? Alguma referência aos famintos e à necessidade de justiça social? A pregação do Papa não tem força naquilo que realmente afeta a vida de milhões de católicos representados pelos bispos que com ele se reuniram em audiência: fome, violência social e falta de perspectivas. Bento XVI deveria se obrigar a um silêncio obsequioso, assim não entregaria sua visão limitada da realidade política, social e econômica do povo brasileiro para os mancheteiros de plantão.

Veja abaixo a íntegra da nota

VISITA “AD LIMINA APOSTOLORUM” DEGLI ECC. MI PRESULI DELLA CONFERENZA EPISCOPALE DEL BRASILE (REGIONE NORDESTE V)

Alle ore 11 di questa mattina, il Santo Padre Benedetto XVI incontra i Vescovi della Conferenza Episcopale del Brasile (Regione NORDESTE V), in occasione della Visita “ad Limina Apostolorum”.

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa rivolge loro:

  • DISCORSO DEL SANTO PADRE

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

[01490-06.01] [Texto original: Português]

[B0655-XX.01]

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2 Respostas para “Bento XVI entra na discussão sobre aborto no Brasil

  1. Sou católico e é dificil manter a calma ao ler seus comentários impertinentes e ofensivos, quem deve calar a boca, ou melhor, os dedos, é você, seu desgraçado. Se você fosse um ignorante, estaria escusado, mas você não o pode ser, não com essa parcialidade diabólica que caracteriza todos aqueles que se afastam da verdade. Quanto odio sinto em minha alma por você, oxalá seja o odio perfeito do salmista… Eu… que quase fui um aborto, eu… que já singrei os mares vermelhos, eu, que odeio tudo quanto sua esquerda representa, não suporto aqueles que dão valor só as mortes da esquerda e na de outros grupos. Os cristãos martirizados apenas pela Fé, e não pelas questoes políticas sociais e econômicas nao te importam, pelo visto… Maldito seja, quem muda a realidade para se favorecer, maldito seja, quem escolha a morte ao invés da vida, maldito seja quem deturpa a palvra de Deus para qualquer fim, como aqueles que assinaram um manifesto pró-Dilma, diante de falsos profetas, não serão as pedras que clamarão, será a mula de Balaão, que refreou a loucura do profeta. Saudades de alguém com culhões, ai vai: se você não mudar, desgraçado, sua morte vai ser sua maior desgraça, pois você não poderá ir para um bom lugar…

  2. Vanderlei, respeito a SUA visão da forma de viver o catolicismo. Da mesma forma, peço que respeite o meu entendimento. Minha visão é de que a manifestação do Papa Bento XVI foi inoportuna. A história já mostrou dezenas de vezes que a SABEDORIA INFALÍVEL dos papas já errou. Tenhamos humildade, somos Igreja Santa e Pecadora. Deixemos nosso julgamento para Deus e o registro do certo ou errado para a sabedoria da história. Saudações cordiais, sem ódio.

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