Meu nome é Legião, de Antônio Lobo Antunes

Meu primeiro contato com o escritor português Antônio Lobo Antunes me causou ‘estranhamento’. Eu precisava ter esquecido a prosa fácil e estar preparados para uma narrativa mais fragmentada. Andei um tanto ingênuo.

“O meu nome é Legião” não foi uma leitura prazerosa. Talvez isso seja um elogio para Antônio Lobo Antunes. Lido entre Bolaño e Dostoiévski (o post aqui no blog chega atrasado), o escritor me deixou um pouco perturbado, sem entender mesmo os caminhos por onde estávamos pisando na história. Ao menos neste livro, encontrei um belo exemplo dos ‘fluxos de consciência’ marcando o ritmo dos personagens. Foi fácil perdê-los de vista…

A descrição oferecida nas livrarias virtuais para a obra é a seguinte:

É noite num bairro afastado de Lisboa quando oito garotos, com idades entre 12 e 19 anos, roubam dois carros. Ao alcançarem uma autoestrada, passam a praticar crimes bárbaros madrugada adentro. Gusmão é um policial desiludido. Ignorado pelos colegas e em vias de se aposentar, redige um inquérito sobre oito jovens delinquentes e seus atos bárbaros ao longo de uma madrugada.
Mas o texto, aparentemente técnico e objetivo, aos poucos se transforma em uma trama narrativa de múltiplas vozes, em que vários narradores tomam a palavra, cada qual com sua versão dos fatos e suas lembranças, criando um mosaico de contrastes sobre a injustiça e a dor. O Meu Nome é Legião mostra Lobo Antunes em pleno domínio de um estilo narrativo inigualável, em que as falas, os pensamentos e os atos de diversos personagens se fundem em um texto denso, raras vezes visto na literatura.

Acredito na teoria de que o leitor precisa ter sintonia com a genialidade do escritor. Sem essa química, nada é possível. Talvez eu esteja em uma fase mais linear e essas narrativas pouco convencionais não me atraíam tanto (embora Bolaño não seja propriamente convencional).

Não sei. Preciso voltar a Lobo Antunes e, talvez, dar até mesmo uma nova chance para o livro. Aqui em casa há outros quatro do autor me aguardando. Creio que ainda vamos acertar o passo, mas nesse primeiro encontro nem tudo saiu bem. (Até agora, o melhor foi ler as entrevistas com o autor disponíveis na internet.)

SAIBA MAIS:
::: Resenha sobre a obra no Terra Magazine  (Link)
::: Artigo na Bravo mostra opiniões sobre Lobo e Saramago (Link)
::: Site não oficial sobre Antônio Lobo Antunes (Link)

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