Católicos mostram fragilidade em ano eleitoral

Após o último eleitor brasileiro apertar a tecla “confirma” em 31 de outubro, um resultado das eleições 2010 já será conhecido. A Igreja Católica sairá como a grande perdedora das eleições. Perde porque seus líderes não souberam mostrar posicionamento firme e coerente diante dos debates que tentaram instrumentalizar pontos polêmicos da religiosidade dos brasileiros.

Padre José Augusto, membro do conselho da Canção Nova, é um ícone da desgraça que assola a Igreja Católica. Um padre muito versado no turismo em Jerusalém, mas desinformado sobre a realidade política brasileira, incapaz de articular os conteúdos políticos em debate no país e a sua própria visão da fé de Roma. Incapaz de respeitar a lei eleitoral. Em um sermão canhoto proferido no dia 5 de outubro, declarou ser contra o voto no PT (opinião, aliás, que ele tem todo direito de ter) e foi além ao misturar temas como comunismo, aborto e ameaça estatal ao televangelismo. É até difícil entender seus argumentos e a mistura de ameaças que vê no PT.

Sua pregação é um caso de estudo e não foi bem digerida nem mesmo pela própria Canção Nova. O sermão de Padre José foi desautorizado pela própria Fundação João Paulo II em nota oficial (veja abaixo). Quem gostou foi Weslian Roriz, que usou o trecho do sermão do padre no horário eleitoral.

Mas, o distinto e corajoso padre, que não poupou elogios aos evangélicos em sua pregação, não está sozinho. Ao lado do seu modo atabalhoado de defender seus valores estão sentados outros figurões do alto clero, sobretudo os paulistas da Regional 1 da CNBB. A regional divulgou nota na qual misturava o tema aborto com o debate eleitoral. Os mesmos bispos que assinaram o documento foram rápidos para gravar depoimentospara a internet. Pouco tempo depois, a Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB lança nota na qual critica o uso eleitoral da religião.

Assim, a Igreja Católica contribuiu para colocar em relevo apenas um aspecto religioso no debate eleitoral. Quem tanto condenou a Teologia da Libertação tem agora a oportunidade de mostrar que é coerente e deixar o púlpito longe da política. Se os líderes da Igreja Católica estivessem acompanhando de fato a conjuntura, teriam sido os primeiros a ver que a pauta foi colocada em questão por Marina Silva, que oprograma de governo de Dilma não cita ampliação dos casos já previstos na lei e ponto. Mas, oque houve foi diferente: bispos emitiram notas, escreveram artigos e esquentaram um tema que não estava em questão e que não cabe ser discutido na boca da urna, de forma limitada.

A Igreja Católica sai fragilizada destas eleições porque se deixou rebaixar aos joguetes partidários da política. Porque a CNBB se calou diante das falsas polêmicas. Onde está Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB? Passou os últimos dias calado, incapaz de colocar um ponto final na questão e se declarar contra o aborto e contra o uso politiqueiro do tema. Nós, católicos, perdemos todos.

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Íntegra da Nota da Canção Nova

“Nota Oficial da Fundação João Paulo II sobre as eleições 2010

A Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação vem a público para reafirmar que não apóia, não subsidia e não possui vínculos com partidos e candidatos.

É necessário ressaltar que não autorizamos, bem como não aprovamos manifestações isoladas de apresentadores, colaboradores e engajados.

E, em especial, sobre o episódio desta manhã, 05 de outubro, não autorizamos o pronunciamento público do sacerdote Padre José Augusto Souza Moreira sobre o Partido dos Trabalhadores, bem como a opinião do mesmo representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição.

Lamentamos o ocorrido e manifestamos mais uma vez nossa obediência aos princípios democráticos, na legislação eleitoral em vigor e na crença de que o povo brasileiro saberá, com critério e sabedoria determinar o seu futuro nas urnas.

Wellington Silva Jardim
Presidente da Fundação João Paulo II”

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Uma resposta para “Católicos mostram fragilidade em ano eleitoral

  1. Sem duvida quem sairá perdendo nessa eleição será a igreja catolica.
    Participo de varios movimentos sociais dentro da igreja, estudos biblicos e com certeza não só eu, como varios amigos estamos inconformados com a atitude de certos padres e até bispos em atitudes que parecem pastores evangelicos vendendo suas opiniões.
    continuo com certeza cada vez mais cristão, mas quanto ão ser catolico mi sinto envergonhado e se já tinha um pé atraz agora preparo para dar outro passo pra fora do catolicismo.

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