Madame Bovary – Flaubert

Edição da £1 Books

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Tão divertido quanto escrever sobre um bom livro já lido é ver o tratamento gráfico que as dezenas de editoras dão aos clássicos.  No caso ao lado, acho que a capa não combinou muito com a essência de Madame Bovary. Mas, vamos adiante…

Voltei a Flaubert em busca de ampliar minha compreensão do processo narrativo. Enquanto lia algumas opiniões a respeito de Vargas Llosa, vi referências ao interesse do peruano por Flaubert. Diante do desejo de confrontar estilos, minha escolha por Madame Bovary foi tão óbvia quanto a disponibilidade do livro na minha estante, parte da coleção “Obras-primas” da Nova Cultural. (Capa careta, de arabescos em dourado sob o fundo verde escuro. Perfeita.)

O interesse pelo que eu chamaria de “contexto” talvez seja uma bela chave para abordar a obra prima do escritor. Mais do que a caracterização do amor e dos ideais burgueses de um período, no caso o século 19, Gustave Flaubert se diferencia por saber transformar a ação dos seus personagens em uma parte do todo. Eles estão todos inseridos, suas emoções e atitudes têm um eixo temporal e físico bastante delimitado. A beleza é a forma como isso é feito: descrições alinhavadas com esmero que para alguns afeitos ao estilo mais direto podem parecer enfadonhas. A explicação para essa característica é o que analistas indicam como sendo o pertencimento de sua obra ao “realismo”, movimento que era espécie de reação ao “romantismo europeu”.

Flaubert soube mostrar tão bem sua visão sobre a moral familiar, a igreja e a burguesia que foi processado por causa do livro. Em 1857, acabou inocentado em um tribunal de Paris. Ele gastou cinco anos de sua vida no trabalho do texto, que está permeado de referências autobiográficas.

Acho injusto fazer um resumo (se for essencial, eis um aqui). A obra é muito mais que a junção dos destinos da jovem Emma e do médico viúvo Carlos Bovary. É mais que a infelicidade de um casamento normal, as traições amorosas e bem mais que o cotidiano mesquinho das pequenas cidades.

Madame Bovary, Gustave Flaubert
Classificação do blog: 4 (0 a 5)

::: Crítica do livro no Digestivo Cultural:
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1319&titulo=Madame_Bovary,_Flaubert_e_a_permanencia_no_tempo

::: Crítica no Fifty Books Project
http://fiftybooksproject.blogspot.com/2010/01/madame-bovary-by-gustave-flaubert.html

::: Madame Bovary – Texto em Inglês – ÍNTEGRA
http://www.gutenberg.org/files/2413/2413-h/2413-h.htm

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Uma resposta para “Madame Bovary – Flaubert

  1. Flaubert é um autor que preciso muito ler! Nunca vi uma crítica negativa sobre o trabalho dele. E a Madame Bovary me causa muita curiosidade, pois admiro os escritores que constroem grandes personagem com uma escrita primorosa e técnica apurada, assim vejo Flaubert.
    Uma pena um livro que parece ser tão bom com uma capa tão feia. (rs)

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