Luís Cardoso mostra a literatura de Timor-Leste

Há tantas formas de abordar um livro quanto os caminhos que um veleiro pode fazer pelos mares. É assim que começo a refletir sobre minha leitura de “Requiem para o navegador solitário”, do escritor Luís Cardoso, do Timor-Leste.

O romance é de 2007, o terceiro livro do autor e o primeiro editado no Brasil. Pode-se discordar, como eu, de determinados recursos estilísticos usados pelo escritor ou ainda argumentar que a obra caminha um tanto lenta para somente explodir em seu terço final. Mas é preciso admitir que a personagem principal foi construída de modo a atrair o leitor com seu jeito ‘imponderável’.

Com um pouco de pesquisa descubro que os críticos carimbam a obra como representante do “realismo mágico”. É esse o imponderável que na minha opinião segue as ações de Catarina, uma jovem que vai para no Timor e lá vive uma rotina improvável à espera de um príncipe. O pano de fundo histórico começa no fato de ser Alain Gerbault, navegador francês que escreveu um livro sobre sua volta ao mundo, o homem esperado.

Nas 303 páginas do livro estão reflexos bem claros da experiência de vida do escritor em sua terra natal, da memória oral que recebeu dos seus pais e que faz o imaginário do seu povo: a 2ª guerra, os embates da colônia e a metrópole Portugal, as tradições tribais… Mas não se preocupe que ele está muito longe de ser um livro disposto a tratar diretamente de história ou cultura. Tudo isso parece muito pequeno diante dos dilemas às vezes nefelibatas de Catarina.

Para quem gosta de se aventurar diante do novo, tentar descobrir escritores e fazer da leitura convite para descobrir um país, está postada minha dica. Mas no fundo avalio que é preciso ter paciência para vencer as primeiras páginas, ignorar determinados ‘maneirismos’ e acostumar os olhos com a luz de Luís Cardoso. De cinco estrelas possíveis, dou-lhe três. Apesar do rigor na avaliação, estou disposto a dar uma nova chance ao autor caso apresente novo livro no mercado.

Trecho de comentário do blog Literatura e Café:

“Considerando seus dois primeiros romances (“Crónica de uma travessia” e “Olhos de coruja Olhos de gato bravo”), Luís Cardoso parece ter exorcizado alguns fantasmas. Está mais solto. Entregue à sua história e seus personagens. Sim, o Timor está presente. E sua história. Mas parece haver um equilíbrio de forças.”(veja completo)

Trecho de reportagem no Estadão:

Réquiem para o Navegador Solitário sai pela editora Língua Geral, dentro da coleção Ponta de Lança, que apresenta autores lusófonos desconhecidos do público brasileiro – embora apenas um quinto dos timorenses falem português, a nossa língua é o idioma oficial por lá. (…)

A figura central de Réquiem, seu quarto romance, é Catarina, uma jovem inocente que viaja a Díli, pouco antes da guerra, atrás de seu noivo. Na mala, A La Poursuite du Soleil (em busca do sol) o relato da viagem escrito por Gerbault e publicado em 1929. Além de Catarina, outra personagem importante é a própria ilha do Pacífico, seus conflitos e delícias. (veja matéria completa)

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