Pantaleón e as Visitadoras não é um ‘livro safado’

Comprado no sebo por 15 reais, minha versão de Pantaleón e as Visitadoras (Mario Vargas Llosa) traz na contracapa o comentário de um repórter da Ilustrada. O texto-comentário-apresentação está lá porque a edição é parte da Biblioteca Folha. O repórter define o romance como um ‘livro safado’, no sentido de ser engenhoso e de ter ‘pernas tortas’, como um Garrincha dos Livros. Hum…

O livro é sensacional, pagaria 150 reais pela leitura. Mas, o enredo é sofisticado demais para ser resumido como um livro safado, mesmo que o texto de apresentação tenha tentado ser espirituoso. A obra de Vargas Llosa é densa, faz refletir o papel do sexo na sociedade ao mesmo tempo em que reflete sobre manifestações religiosas populares. O contraste entre religião e sexo permeia todo o livro, mesmo na fé que o capitão responsável por organizar um serviço de prostituição devota ao exército.

Pantaleón e as Visitadoras é um livro divino, porque fé, sexo e boa literatura são coisas que fazem parte da minha concepção de Deus. O engraçado é que nem o texto do repórter nem mesmo a sinopse notaram a importância da “Igreja da Arca” e suas crucificações na trama…

Sinopse
da Folha de S.Paulo

O jovem capitão Pantaleón Pantoja foi treinado para ser um dos mais eficientes oficiais do Exército peruano. Disciplinado, respeitador das hierarquias, estava preparado para enfrentar qualquer tipo de missão militar.

Mas a tarefa que lhe foi designada superava todas as expectativas de um sério oficial de carreira: organizar um bordel na selva amazônica e amenizar a fome sexual da soldadesca que, no isolamento da mata, passara a violentar as mulheres locais, pondo em risco a reputação das Forças Armadas nacionais.

Embora tivesse sempre aspirado a ser um herói de guerra, e não um cafetão das florestas, Pantoja aplica meticulosamente seus conhecimentos de estratégia e de logística na implantação do “serviço de visitadoras” – codinome para o lupanar equatorial. O problema é que nem a disciplina mais férrea foi capaz de evitar um envolvimento amoroso do capitão, perfeito pai de família, com a menina mais bela do “regimento”.

Neste romance, Mario Vargas Llosa exibe mais uma vez a sua fantástica capacidade de contar histórias que têm ao mesmo tempo um pé bem plantado na realidade, e o outro, no delírio.

No caso, o leitor pode se recordar das recentes investidas bélicas de um Peru em guerra contra o Equador, aqui solapadas por uma comédia erótica que desmonta qualquer pretensão de heroísmo.

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