Para Lula, alargar avenidas é parte da solução

O presidente deu ontem entrevista para o Canal Livre, da TV Bandeirantes. Foi abordado sobre os temas habituais e, também, questionado sobre trânsito. A resposta dele, ex-metalúrgico de São Bernardo do Campo, berço das montadoras, é emblemática. Ele não ignora a palavra mobilidade urbana, cita Metrô, mas… Ao menos a síntese do pensamento é um tanto “monstruoso”:

Jornalista: Precisa melhorar o trânsito porque morre um motoqueiro por dia para entregar pizza, Presidente.

Presidente: Aliás, esses dias eu vi um filme… Aliás, um dia desses eu vi um filme no canal, acho que é no canal Brasil, sobre a questão do motoboy, que eu fiquei impressionado. A gente, quando vê eles passarem e a gente está no carro, a gente fica até incomodado, não é? “Estão atrapalhando o trânsito”. Mas a vida que eles levam é uma vida realmente difícil.

Jornalista: São seis milhões…

Jornalista: Não é fácil…

Presidente: …difícil. Então, veja, eu acho que tem que melhorar o trânsito, tem que ter mais estradas. Eu acho o seguinte: não me peçam para parar de vender carro. Porque tem gente que fala para mim: “Puxa, Presidente, tem muita gente com carro, já”. Tem pouca gente, no Brasil, com carro. A maioria não tem carro. É melhor fazer mais estradas, fazer mais ruas, alargar avenidas, fazer mais metrô, fazer mais coisas… tudo isso nós temos que fazer. É por isso que nós estamos colocando, no PAC 2, uma preocupação essencial com as grandes regiões metropolitanas, tratando da questão da mobilidade urbana, porque nós temos a Copa do Mundo, porque nós temos as Olimpíadas e também porque nós precisamos melhorar a vida do nosso povo e ajudar os prefeitos deste país.
“.

Leia mais no G1. No e-Band, a íntegra da entrevista em vídeo ou no site do Planalto a íntegra em texto.

O trecho acima foi retirado do site do Planalto, os sites de notícias editaram a resposta. Antes da digressão sobre o trânsito, Lula falava sobre inovação e disse que motoboy entregando pizza era exemplo de inovação. Foi a partir disso que se falou de trânsito. Conversando com uma amiga que sempre cobre eventos do Lula em São Paulo, ela ressaltou que o raciocínio dele tem sido esse, de assumir a missão de aumentar a parcela da população com carros. Segundo ela, Lula já falou outras vezes sobre o tema, defendendo a mesma posição: parte da grita contra a venda de carros é resultado do pensamento de uma elite que já tem seus automóveis e não quer a ampliação do benefício para os mais pobres.

Ela notou que dessa vez Lula interrompeu seu raciocínio habitual e destacou investimentos do PAC em mobilidade. Citou até Metrô. Aleluia, consolador. Mas, ao menos para mim, é muito pouco mesmo, quero mais do líder do país quando o assunto é trânsito. Não dá para simplesmente defender o crescimento no uso dos carros, defender avenidas mais largas. Francamente. Vivo em São Paulo, o exemplo eu vejo todo dia e sinto nos meus pulmões. Não há vias para serem ampliadas. Quero ruas para andar, pedalar, jogar bola, conviver. Não quero mais ruas para mais carros.

O pensamento do presidente, tal como exposto acima, é rasteiro. Claro, se ele fosse esmiuçar o tema, teria mais a contribuir, Mesmo assim, o que me preocupa mesmo é o resumo do pensamento. É inacreditável pensar que não temos uma terceira via entre andar a pé e comprar um carro. Se a questão é apenas defender empregos, vamos defender mais gente fumando para dar emprego nas indústrias de tabaco.

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