Igreja do Pateo do Collegio ganha reforma

Igreja do Pateo do Collegio, fachada externa

Igreja do Pateo do Collegio, fachada externa

O artista plástico Cláudio Pastro (veja tese em Ciência da Religião sobre o trabalho dele) me persegue. Entre muitas igrejas no Brasil, interferiu diretamente nas três que eu considero as mais importantes para meu exercício da fé.

Deu formas e novos ares ao Santuário Nacional, transformou o presbitério da Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, e agora mudou a igreja do Pateo do Collegio. O novo visual, apresentado com em primeira mão pelo G1, foi mostrado à comunidade neste domingo, 26 de julho.

Não tenho nada contra reformas. Gostaria mesmo de uma grande reforma dentro do nosso jeito de celebrar a fé católica. Por isso não tenho o direito de pedir que os templos também fiquem mortos, com suas falhas de projeto que atrapalham a atividade fim. Mas, as obras de Pastro – de inegável valor artístico – nem sempre agradam todos. O mais comum e consenso entre os críticos é que de suas mãos resultam igrejas frias. Eu tive chance de entrevistá-lo sobre a capela que planejou para a visita do Papa em Aparecida e terminei o bate-papo sem uma impressão definitiva sobre o encontro…

Presbitério na Igreja da Glória: pedras e granitos na nova versão

Presbitério na Igreja da Glória: pedras e granitos na nova versão

Mas vejamos… Eu tinha planos de me casar na Igreja da Glória. Entretanto, a mudança lá em Minas Gerais foi polêmica, já que o templo havia sido recém-tombado. Eu particularmente, como não estou lá diariamente, preferia o jeito antigo do presbitério (depois acho fotos das duas etapas e posto aqui. Aqui, link para imagens recentes). Aliás, posso dizer que fui contra mesmo as mudanças… Mas sei que para quem vive o dia-a-dia da comunidade, a repaginada foi importante. Um templo tem que estar à serviço, antes de mais nada. Não adianta apenas ser belo e histórico para simplesmente acabar sozinho e ruir sem uso.

Novo altar, em pedra, e cruz sobre parede de azulejos no Pateo do Collegio

Novo altar, em pedra, e cruz sobre parede de azulejos no Pateo do Collegio

Mas, enfim, desisti de casar em Minas, com ou sem polêmica. Só não fiquei livre das interferências do artista plástico como pano de fundo no meu álbum de casamento. Escolhi realizar meu matrimônio no Pateo do Collegio. Espanto quando descobri que ele mudaria tudo por lá também… Nesse caso, não fui contra e aprovei as mudanças. A Igreja do Pateo (não capela, como disse a repórter do Grupo Estado em reportagem sobre a reforma), era escura e tinha – como tantas outras – falhas litúrgicas, não combinava com a história do lugar. Benedito Lima de Toledo já reclamou, mas possivelmente reconsidere ao avaliar o local depois da reforma. Vale dar uma lida nas reportagens sobre o tema antes de tomar partido…

Vejam o caso do Santuário de Aparecida. Eu era menino e já frequentava o local, sempre rústico com seus tijolos aparentes e quase nenhum ornamento. A interferência de Cláudio Pastro começou e progressivamente fui deixando de me identificar com o local como eu conhecia. Estranhei, mas fui percebendo as intenções, releituras e beleza da arte à serviço da liturgia. Foram várias e várias visitas ao longo de anos para, enfim, na época da visita do Papa, eu novamente sentir o Santuário como minha casa na fé.

Cláudio Pastro me persegue, mas conseguiu – temporariamente nesses dois casos – me convencer. Como dizem que a arte deve ser vivida, vou viver esses espaços e ao longo dos tempos vejo como consolido minha opinião. Mas pessoalmente, torço mesmo para que o talento do artista seja visto em novas igrejas, construídas sob medida para seus conceitos, e menos em reformas nos templos já existentes no país.

“Quando eu faço uma obra de arte, eu nunca penso nas pessoas, em como as pessoas vêem isso, mas eu estou interessado numa fidelidade, numa profundidade e numa espiritualidade séria. Depois é o Cristo que vai falar” Cláudio Pastro em entrevista ao Zenit à época da visita do Papa no Brasil.

“Um outro trabalho bonito, que está sendo extremamente mal usado, é a capela da Rede Vida de Televisão. Eu fiz um terno para o caipira usar… Os padres não sabem usá-la, são cafonas, não sabem o valor dos gestos, do espaço. O próprio diretor da Rede Vida é um caipirão que tem muito dinheiro…” (Veja entrevista completa no Planeta Web aqui)

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Uma resposta para “Igreja do Pateo do Collegio ganha reforma

  1. Eu é que sempre busco a arte desse grande Artista que é Cláudio Pastro, estou fazendo meu TCC na obra dele e exatamente essas duas igrejas de são paulo são as principais para meu trabalho, querendo entender melhor o que ele quer nos transmitir de Deus nessas igrejas.

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