Justiça diz que descontar dízimo do salário é ilegal

O empregador não pode descontar do empregado a contribuição do dízimo. Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), de 2 de setembro, determinou que um empregador de Guarulhos devolvesse o valor descontado com correções.

A condenada é a Instituição Paulista Adventista de Educação e Assistência Social, que terá de devolver R$3.618,2 descontado de Eliana Melo Duarte a título de dízimo no período de janeiro de 2002 a agosto de 2006. Dentro de um acordo entre as partes, a funcionária assinou documento que autorizava o desconto. Mas foi demitida quatro meses pedir que a prática fosse cancelada. A demissão não estava em julgamento, mas sim a incompatibilidade entre questões de fé e CLT.

Lições de Malaquias 3
Fui refletir sobre o tema. Curiosamente, encontrei no site adventistas.com – cujo domínio cita a mesma denominação evangélica em questão na ação – um artigo sobre o dízimo que critica a obrigatoriedade das contribuições e a maneira como elas costumam ser cobradas por pastores.

Hoje, cristãos sinceros deixam de comprar gêneros de primeira necessidade para pagar dízimos às suas igrejas. Põe dez por cento de seus salários num envelope, lançam-no na salva de ofertas e saem aliviados. “Agora Deus vai me abençoar. Já cumpri minha parte”. A superstição é tão forte que alguns chegam a pagar dízimos com cheques pré-datados afim de se livrarem da maldição de Malaquias.

O artigo assinado pelo teólogo Paulo Gomes do Nascimento fala sobre a deturpação do texto de Malaquias 3:8-10:

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, por que me roubais, vós a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança”.

Não é possível fazer qualquer tipo de relação entre as reflexões propostas pelo autor com a sentença do TRT. Ele busca avaliar os pastores pouco comprometidos que usam a superstição para arrecadar fundos. Entretanto, cabe refletir sobre a necessidade da postura ética e coerente com a mensagem bíblica para além dos cultos, principalmente nos ambientes de trabalho. Afinal, medo e pressão não combinam com fé, como diz o autor em outro contexto:

A superstição criada pela doutrina do dízimo não condiz com a mensagem de liberdade do novo concerto. A crença de que seremos amaldiçoados se não dermos dez por cento de nossos salários à igreja é um engodo e tanto. Superstição. Simplesmente superstição. Não importa qual seja o ritual.

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Uma resposta para “Justiça diz que descontar dízimo do salário é ilegal

  1. klebson de Oliveira

    Sou menbro da igreja universal a 14 anos e dizimista fiel.Porem se tivesse oportunidade de o dizimos ser descontado do meu salário na empresa que trabalho autorizaria.
    Pois e com ele que se paga alugueis de templo e ate programa de radio e tv.

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