há fé no vermelho da cruz

No cotidiano é que se dá o estudo das coisas do alto

Estamos a todo momento tentando religar. Religião. Ela é esta distância entre dois pontos que nos aflige, que motiva a epopéia do homem na natureza que partilhamos. Religar é o sentido da vida. Não faltam na história registros para nos explicar o porquê.

Em alguns momentos, os abismos que precisamos superar estão na distância entre a vida e a morte. Na história do homem, o necessidade de associar significados ao fim da vida fica evidente no que hoje são nossos cemitérios e ainda explícita nos ancestrais sítios fúnebres do homem pré-histórico. É no rito da morte que o homem se diferencia dos animais e, mais que qualquer oura denominação, se faz homus religious [ver citação 1*].

Sem objetivo de servir de instrumento para o fortalecimento de denominações ou igrejas, pensar as bases de onde nasce a fé pode influir incisivamente na forma como regulamos a construção do tecido social neste século XXI. Nossa forma de estar no mundo não segue lógicas antropológicas distintas dos períodos primitivos ou quaisquer outros, como o próprio período medieval.

Os calendários dos mais diversos povos apontam em um só sentido: os homens caminham em busca de obter ciência sobre si, sobre o chão no qual se apoiam e sobre as realidades que não conseguem denominar – representadas principalmente pelas forças da natureza: fenômenos meteorológicos, biológicos, físicos e etc.

Talvez seja por isso que exista espaço na sociedade da era pós industral para as Ciências da Religião. Quanto menos racional, menos objetivo e mais fluidas se tornam as relações entre os homens e o mundo, mais o objeto de estudo desta disciplina se envereda. Como as diferentes formas de organização religiosa – enquanto respostas do homem para as realidades que não poderia sozinho interpretar – influenciam a sensação de bem-estar e realização na vida dos povos.

Muitos livros tratam do assunto. É preciso ir em busca deles, mas nenhum substituirá a experiência concreta de se colocar nas encruzilhadas que delimitam a essência da existência humana. Há quem veja nas pregações, nas cruzes ou minaretes as evidências do despertar para a realidade de que algo precisa ser religado. O homem precisa erguer pontes em direção ao superior que responda suas angústias e lhe propiciem a esperança de “salvação”, que para alguns pode ser mais identificada como libertação, nirvana, ressurreição. Não importam os nomes, no fim, é preciso apenas desejo para compreender que ‘as coisas mudam de nome, mas continuam sendo religiões’.

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