Como já ocorreu outras vezes, o blog sofreu um intervalo. Tempo para casar, viajar em lua-de-mel, voltar, mudar de emprego, pedalar novamente e fazer a vida entrar no ritmo. Por isso, as conquistas do intervalo são muitas. A principal delas, amadurecimento. Voltei com a impressão de que meus amigos não deveriam ter tantos receios em relação aos compromissos dos trinta (casar, comprar uma casa, cuidar de não ter barriga…). Crescer faz bem, principalmente quando se tem consciência disso. Vida que segue, Deus que nos ilumine.
Conquistas do intervalo
Novembro 20, 2009 · Deixe um comentário
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Caim, de José Saramago
Outubro 31, 2009 · Deixe um comentário
Tive a chance de comprar o livro editado pela Caminho: capa amarela, com um desenho do protagonista na capa. São 181 páginas de boa literatura e poucas surpresas para quem já leu o “Evangelho (…)” ou “Ensaio (…)”, o que não quer dizer que eu não indicaria o livro. De modo algum. Quem gosta da prosa do escritor vai se divertir em umas seis horas de leitura.
Rompendo com as questões temporais na narrativa, Saramago leva o personagem Caim a visitar as principais passagens do antigo testamento. Sim, estamos falando daquele Caim que matou Abel, filho de Adão e Eva, conforme é relatado no Gênesis, primeiro livro da Bíblia. Ele se encontra com Deus e todo mundo: de Deus até Noé, passando por Abraao e Noé.
Cético ou ateu? Não sei como relatar, mas é fato que os líderes religiosos gostaram pouco do livro. Tanto que, até onde é possível dizer isso, Saramago teve que ’se explicar’ (link para reportagem ‘tuga’ aqui).
De modo geral, o livro toma como literais as histórias relatadas no Antigo Testamento. Vê um Deus que é capaz de praticar o mal, entende de modo estrito as construções feitas pela humanidade na Antiguidade para construção da ideia do divino. A grita se justifica, segundo os líderes religiosos, no fato de que as grandes tradições religiosas têm se esforçado cada vez mais para dar o contexto histórico daquelas construções.
A polêmica segue; tudo porque, em essência, o Deus do Antigo Testamento também continha em si o seu próprio oposto. No fim, como sempre, tudo é culpa do Diabo.
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10 de outubro de 2009
Outubro 10, 2009 · Deixe um comentário
A vocação de toda uma vida pode ser resumida em um só momento.
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Máfia das gravatas
Setembro 14, 2009 · Deixe um comentário
Não sou advogado nem pertenço ao ‘mundo corporativo’. Sou trabalhador das letras e por isso só eventualmente preciso usar terno e gravata. Tenho três ternos e algumas gravatas, todos básicos, para me salvar em ocasiões especiais. O papel de noivo me fez conhecer novos horizontes no mundo dos ‘costumes’ e, como consequência, me levou à máfia das gravatas.
Se os ternos podem custar até milhares de reais, seus acessórios não poderiam ficar desvalorizados. Entretanto, é impossível nos shoppings de São Paulo encontrar uma gravata de qualidade e não pagar os tais R$ 140. É quase tabelado… Alguns poderão achar que escrevo esse texto com um escorpião inquieto no bolso. Nada disso. Só julguei ser realmente espantoso o preço cartelizado. Meu terno para o casamento não custou os tais milhares, mas das gravatas não consegui fugir. No fim das contas, admiti ser melhor pagar caro em uma peça que valoriza todo o conjunto do que apostar em uma que derrubaria até os mais caro dos costumes.
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A essência do encontro de noivos
Agosto 25, 2009 · 1 Comentário
No último fim de semana, participei de um encontro de noivos no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, nos Campos Elíseos, região Central de São Paulo. Uma dezena de casais dedicados se esmerou para, voluntariamente, preparar quase 80 jovens para o matrimônio. Todos muito simpáticos e para os quais, individualmente, só tenho elogios. Mas…
…não posso deixar de fazer uma análise crítica da forma como nossa Igreja Católica desenvolve esta pastoral. O encontro começou às 8h e terminou quase 20h do domingo. Como eu mesmo disse para o padre salesiano responsável pelo santuário: “angu de um dia não engorda cachorro magro”. Por mais interessantes que fossem as atividades, ao menos para mim, todo esse tempo de palestra e atividades receptivas se tornaram cansativas. Bem, os organizadores dizem que antes (como em outras paróquias ainda é) o encontro durava dois dias inteiros.
De forma geral, o conteúdo das palestras está a cargo da experiência de cada um dos casais organizadores. Isso até é bom porque assim assuntos como sexo, contraceptivos e planejamento familiar são tratados sem a influência das teorias limitadoras da hierarquia católica. Mas, como efeito colateral, a ausência de interferência dos padres acaba cobrando um preço: às vezes, o conteúdo carece de um olhar mais teológico ou pastoral.
Impossível falar de métodos contraceptivos sem dar a explicação correta sobre como e porque a igreja só aceita a tabelinha como forma de evitar filhos. Também difícil falar de planejamento econômico sem lembrar do dízimo ou da importância de ter em mente que produzimos riquezas para nós e para a comunidade.
Repito, cada um dos palestrantes passou ótimas informações. Mas se esses leigos católicos dedicados poderiam ir ainda mais longe com o apoio direto e dedicado da nossa Igreja. Basta ver que o próprio pároco disse: ele está pensando em produzir uma espécie de novena ou outra forma de formação dos noivos, algo que trouxesse para dentro da realidade do jovem casal uma dimensão espiritual do casamento. Preparação de longo prazo, elementos de prece e reflexão nos tumultuados meses que antecedem a cerimônia. Isso seria bom.
Mas, atenção. Longe de mim cobrar foco exclusivo na vida místico-religiosa do casal, pois o casamento é muito concreto e antes dele cabem muitos conselhos práticos e alguns deles foram dados nas palestras. Mas há que se pensar em como oferecer uma chance de fazer desse sacramento como a grande chance de transformar o amor entre homem e mulher em sinal visível do amor de Deus pela sociedade e pela Igreja. Quais as leituras bíblicas, quais os santos e pensadores que de alguma forma dão pistas para a vida a dois? Não há nenhum? Como aproveitar o curso obrigatório para mostrar aos casais que a vida de fé é essencial ao casamento? Eu começaria valorizando o testemunho de cada um dos casais leigos, gente que teve que se superar e segurar firme na religiosidade para superar brigas e desencontros.
Por fim, voltei a refletir sobre o viés espiritual e o social da cerimônia ao fim do curso. Muitos criticam a chamada indústria do casamento. Mas, há quem a valorize. A missa que encerrou o encontro de noivos teve a participação de um coral e orquestra. Estavam lá para divulgar seu trabalho para o grupo de noivos. Liturgicamente, atropelaram a cerimônia: toque de trombeta e marcha nupcial para entrada da missa, ave-maria logo após comunhão… Sem falar nas três músicas ‘demo’ que tocaram e cantaram ao fim da celebração, enquanto uma platéia de noivos cansados desejava apenas pegar seu certificado de participação no curso e seguir para casa.
Tudo bem, muitos deveriam estar ali preocupados também com a pompa e a circunstância da celebração vindoura. São sonhos… Mas cabe a Igreja colocar seus fiéis dentro da realidade e não incentivar, em plena Cracolândia, exibição social em vez de sobriedade e compromisso com um projeto de comunidade de fé libertadora. Meu casamento é em outubro, posso até cometer parte dessa ostentação desnecessária e tentei fugir dela ao máximo, mas tenho plena consciência de que fui alertado e que esse não é o testemunho de fé que o Pai espera de mim.
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30 de julho de 1978, 11h15
Julho 30, 2009 · Deixe um comentário
Beijo para acordar, telefonemas e um aviso na tela do celular lembram que cheguei ao 31º inverno. Passei alguns minutos refletindo sobre isso diante da tela do micro. Não cheguei a nenhuma conclusão. Mas achei algumas imagens arquivadas que me lembram a passagem da vida e que é bom estar vivo.
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Igreja do Pateo do Collegio ganha reforma
Julho 25, 2009 · Deixe um comentário

Igreja do Pateo do Collegio, fachada externa
Deu formas e novos ares ao Santuário Nacional, transformou o presbitério da Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, e agora mudou a igreja do Pateo do Collegio. O novo visual, apresentado com em primeira mão pelo G1, foi mostrado à comunidade neste domingo, 26 de julho.
Não tenho nada contra reformas. Gostaria mesmo de uma grande reforma dentro do nosso jeito de celebrar a fé católica. Por isso não tenho o direito de pedir que os templos também fiquem mortos, com suas falhas de projeto que atrapalham a atividade fim. Mas, as obras de Pastro – de inegável valor artístico – nem sempre agradam todos. O mais comum e consenso entre os críticos é que de suas mãos resultam igrejas frias. Eu tive chance de entrevistá-lo sobre a capela que planejou para a visita do Papa em Aparecida e terminei o bate-papo sem uma impressão definitiva sobre o encontro…

Presbitério na Igreja da Glória: pedras e granitos na nova versão

Novo altar, em pedra, e cruz sobre parede de azulejos no Pateo do Collegio
Vejam o caso do Santuário de Aparecida. Eu era menino e já frequentava o local, sempre rústico com seus tijolos aparentes e quase nenhum ornamento. A interferência de Cláudio Pastro começou e progressivamente fui deixando de me identificar com o local como eu conhecia. Estranhei, mas fui percebendo as intenções, releituras e beleza da arte à serviço da liturgia. Foram várias e várias visitas ao longo de anos para, enfim, na época da visita do Papa, eu novamente sentir o Santuário como minha casa na fé.
Cláudio Pastro me persegue, mas conseguiu – temporariamente nesses dois casos – me convencer. Como dizem que a arte deve ser vivida, vou viver esses espaços e ao longo dos tempos vejo como consolido minha opinião. Mas pessoalmente, torço mesmo para que o talento do artista seja visto em novas igrejas, construídas sob medida para seus conceitos, e menos em reformas nos templos já existentes no país.
“Quando eu faço uma obra de arte, eu nunca penso nas pessoas, em como as pessoas vêem isso, mas eu estou interessado numa fidelidade, numa profundidade e numa espiritualidade séria. Depois é o Cristo que vai falar” Cláudio Pastro em entrevista ao Zenit à época da visita do Papa no Brasil.
“Um outro trabalho bonito, que está sendo extremamente mal usado, é a capela da Rede Vida de Televisão. Eu fiz um terno para o caipira usar… Os padres não sabem usá-la, são cafonas, não sabem o valor dos gestos, do espaço. O próprio diretor da Rede Vida é um caipirão que tem muito dinheiro…” (Veja entrevista completa no Planeta Web aqui)
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dedo de prosa
Julho 24, 2009 · Deixe um comentário
Salto alto – 31 de maio de 2003
Elisângela vivia armada contra a vida. Do alto dos seus 27 anos, acreditava em pouca coisa além do pó. Cheirava todo dia que conseguia encontrar trabalho ou quando apelava para alguém disposto a comprar meia hora de uso do seu corpo. Não que ela fosse feia, tinha mais curvas e mais fogo que muitas putinhas da Rua Augusta. Mas só alugava seu sexo para alguns rapazes já conhecidos. Tinha medo de apanhar, de virar prostituta.
Naquela noite quente de sábado, fevereiro em São Paulo, não tinha cheirado. Rodou as ruas do Tremembé. Salto alto estalando contra o calçamento de pedra, roupa apertada destacando o contorno da bunda e uma fissura por qualquer ar que lembrasse o pó. Morava sozinha, os pais ficaram em outra cidade. Mas dizia manter a dignidade: não vendia o que tinha em seu quartinho alugado, nem se entregava para qualquer um. Delicada, tinha uma habilidade incomum com as mãos e sempre pagava o aluguel com bicos de pedicure.
Até pensou umas duas vezes em trocar a televisão e outros trecos por umas gramas e entrar para o movimento. Desistiu. Tinha medo de ser presa e transformar-se em personagem dos programas de jornalismo que ela sempre assiste no fim de tarde. Preferia batalhar freguesas ou correr atrás do círculo restrito dos seus clientes. Às quatro da tarde, encontrou três.
Eles bebiam em um bar, três quadras abaixo da casa dela. Três amigos, uns meio-malandros com quem ela dava e se dava bem. Tirou um da roda, falou duas palavras sussurradas ao ouvido, mão na nuca fazendo empinar os seios. Eles só voltaram uma hora depois. Ela já tinha comprado o pó, estava plena. Os olhos vidrados giravam em busca de não sabia ela o quê. O bar fechou cedo, era consenso que a rua ficava sem lei e os homens sem escrúpulos depois de chegada a noite.
A esta altura duas outras já haviam chegado. Menos putas que ela, só queriam alguém que pagasse a cerveja e talvez dividissem o pó. Antes de chegarem a outro bar, numa vila próxima, pararam em uma viela para descansar da caminhada, cheirar um papel que o “cliente” de Elisângela tinha no bolso. Para descansar, encostou-se, tirou as sapatos e ficou com eles na mão. Entre o abrir da fivela e a pancadaria não passaram dez segundos.
Dois homens passaram entre o grupo. Alguém pediu um cigarro, um dos que passavam negou. Elisângela só se lembra mesmo do tom de desprezo com que foi dita a frase: “não dou cigarro pra nóia”. Ela não era viciada, como a palavra sugeria, também não era puta e também não era violenta. Nunca tinha furado os olhos de ninguém até aquele dia.
Gostava sim de falar alto, de dar uns tapas em mulheres folgadas que se atreviam com seus namorados. O destino dos dois homens foi bastante diferente. Um fugia enquanto o outro já havia apanhado o suficiente para quase morrer com hemorragia interna. Ela não sabe quantos minutos, quantos socos, quantos pontapés o cara recebeu.
Só no outro dia, quando a polícia arrombou seu quartinho, lembrou-se claramente de ter batido a ponta do seu salto para furar os dois olhos daquele folgado que não tinha morrido e ainda agonizava no chão.
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intervalo poético
Julho 24, 2009 · Deixe um comentário
Creio já ter postado esses versos. Mas faz frio, São Paulo parece calada e estou aqui procurando alguns arquivos em meu micro. Ao menos um achei pertinente. Deixo abaixo:
CRUZAMENTO
O sinal vermelho fecha o cruzamento.
Ele brilha como se fosse uma sirene.
Serão 30 segundos de trabalho.
De dentro dos carros, verão um menino
bailarino,
sob a luz dos faróis.
Com as mãos levanta a blusa
e gira o corpo
em torno do próprio eixo.
A cintura nua mostra a pele negra
de quem tem 10 primaveras
e não carrega armas.
Ele apenas segura alguns limões
que tenta jogar aos céus.
Mas tem medo, lhe falta equilíbrio.
Arremessa um de cada vez, sem jeito.
Arrancaria risos, se não fosse noite, se não estivesse escuro.
Curva o corpo e se despede antes da luz verde.
Os falsos malabarismos rendem poucas moedas,
mas elas parecem bastar.
O espetáculo de toda uma noite
pode render um sono tranqüilo
ou uma longa viagem.
Vida louca
Nestas esquinas, o equilíbrio paulistano
parece ainda mais aparente.
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companheiras de treino
Julho 10, 2009 · Deixe um comentário

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